TODOS DIFERENTES

“Todos diferentes, todos iguais!”

Não!

Todos diferentes e todos com o direito a ser diferente!

Num mundo de críticas onde reina o frio e a indiferença por quem nos rodeia, pelo outro, existem pequenas grandes estrelas que iluminam tudo ao seu redor. Ser único, ser especial é apanágio do ser humano livre, da criança. Ser criança é ter um brilho especial em cada gesto, em cada palavra, em cada sorriso, em cada traquinice até. Talentos, vivências, pensamentos e sentimentos fazem de cada criança um ser único de uma grandeza inigualável.

A diferença existe, crianças diferentes existem. Todavia, o direito a ser diferente também existe. Todas as crianças, independentemente da raça, da cor dos olhos ou do cabelo, das capacidades mais ou menos manifestas, deveriam nascer com o direito ao colo, ao calor de um abraço e ao carinho de um beijo. A criança necessita do direito à liberdade de pensar e sentir, aprender e traquinar. Hoje, nós adultos, detentores do certo e do errado, damos asas à liberdade de traquinar? Não, claro que não. Ou, porque socialmente se torna inadequado, ou simplesmente porque nos esquecemos que, outrora, fomos seres pequeninos cheios de imaginação e vontades próprias, uma gigantesca apetência para experimentar e asneirar. Fosse qual fosse a geração, o meio, o género ou a nacionalidade, as traquinices marcaram a nossa infância e a nossa memória prega-nos a partida de nos fazer esquecer essas verdadeiras aventuras. Tentemos, ainda que por breves momentos, recordar… Afinal, num ou noutro momento também cometemos pequenos “delitos”, muitos cheios de graça, outros nem tanto. É este o ponto entre todos nós que, apesar da diferença, nos iguala.

As crianças, todas sem exceção, são únicas e extraordinárias, por si mesmas, pela forma como observam o mundo, pela simplicidade do que são. Para os pais, não é tarefa fácil educar uma criança. Para os pais de crianças especiais, a tarefa torna-se ainda mais complexa. O segredo talvez esteja na nossa capacidade de admirar e descobrir em cada uma delas o quanto esconde de especial e único.

Ser diferente é ter na vida um olhar único, é sentir de um modo que só aquela alma sente, é acordar e sorrir diante do nevoeiro ou do sol. Ser diferente é querer ser diferente, é aceitar-se como mais ninguém o faria, é sorrir diante do próprio reflexo, é reconhecer as próprias fraquezas e transformar erros em verdadeiras aprendizagens. Ser diferente é gostar e aceitar essa diferença. Ser diferente é observar na diferença as infinitas possibilidades de um ser. Ser diferente é bom. Eu gosto. Eu sou diferente, e tu?

Alunos Care Póvoa de Santa Iria

Maio 2018

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